sexta-feira, 17 de julho de 2009

As Tempestades

Cheguei desarmado
e sem escudo ou roupa,
fiquei nu ao teu lado
aquilo que era, fui

Flores, Champagne, Luares
contra o meu corpo despido
pedi para te voltares de costas
com receio do que havias prometido

Mais Flores, Vinho, Poesia
Cores, um novo Caminho e Canções de amor,
Os truques de sábio para curar a melancolia
para a solidão e para a dor profunda

Não resisti e não procurei roupa
tanta alegria proclamada que julguei
que a minha vós já rouca de tanto pedir
tinha sido escutada por alguém

E fomos no primeiro barco
na primeira onda
na primeira oportunidade

Da solidão eu já estava farto
à dor já a mal me habituara
e fui sem sentir réstia de saudade

Promessas em papiro e nuvéns
fizeram-me logo acreditar.
Quem és? De onde vens?
Deixei para mais tarde perguntar

Mas veio a tempestade e o barco tremeu
outra onde mais forte e o barco girou
ondas e ondas onduladas e estonteantes
por caminhos errantes mas ainda seguros

Vieram mais ondas e algumas de bonança
e sorri como sorri um recém nascido à mãe
protegido enquanto criança e na esperança
que o seu elo de ligação ao mundo sempre dure

Como criança fui espontâneo e sincero
mas também como criança fui ingénuo
ao ponto de acreditar que ainda espero
por presentes de pesronagens fictícias

e convencido por noites quentes
onde trocámos carícias e poemas
julguei saber o que sentes
e que era o mesmo amor que eu sentia

Mas vieram mais tempestades
e voltei a perguntar, sabes remar?
O silêncio que podia ser afirmação foi tremido
Remarás além contrariedades?

e numa silêncio renhido
contra a ausência de certezas
tenho medo de ter percebido
que não reconheci as nossas fraquezas.

Não há terras novas a descobrir,
enquanto não largares o porto.
E assim te pergunto num tom solto mas sereno,
Ficarás ou vais partir?

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