quarta-feira, 15 de julho de 2009

Primavera

Chegaste cintilante,
como estrela em noite cadente.
Os teus passos de firmeza errante,
o teu sorriso de natureza diferente.

Vinhas de vestido comprido
mas podia ver o teu corpo de perfeito semblante.
Juro que via rosas no teu peito destemido,
e mal-me-queres num futuro como teu amante.

Vi malvas junto aos teus pés descalços
e brancas flores de laranjeira na tua orelha.
Senti tantas cores nos teus passos
num sem fim jardim de tons verde e groselha.

Chuveu e nada se moveu na tua alegria
continuavas serena e em passos de bailarina.
A água só alimentou as flores que trazias
e tornou mais clara a tua pele fina.

Percebi então que não controlava o que sentia
e que te queria assim, tal como te vi, igual para sempre.
Cada segundo era mais verdade no que queira
que iguais a ti se formassem no teu ventre.

Sentia no teu perfume de alfazema
e na tua mão de lençois de linho,
que não saberia jamais escrever em prosa ou num poema
a certeza que tinha que encontrara o meu caminho.

Sentia como se não soubesse mais deixar de sorrir
de tal euforia e amor que presenciava.
A chuva continuou a cair
e escureceu o sol que te iluminava.

Chuveu e perdeste as folhas coloridas
enquanto os dias ficavam mais curtos e cinzentos.
Todos temos na vida várias vidas
e achei poder ver luz após os tormentos.

Mas não. Após a chuva, chuva veio.
E a água quea antes alimentara, agora matava.
E o espaço para amar ficou cheio
de tantas coisas, mas de nada.

Chorei a perda, a dor do adeus.
Chorei porque constatava
que ficaste mas fomos embora,
que mais uma vez me enganara a prever.

E onde esteve em tempo um jardim dos teus
perfumes e beleza que me encantava.
Estava a ausência do que já fora
e agora estava a sofrer.

Só quem conhece o paraíso
pode falar com certeza do inferno.
As primeiras chuvas foram um aviso,
de que chegara o Inverno.

Adeus Primavera

Sem comentários:

Enviar um comentário