quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Uma Espera Inútil

Já era noite acesa
Quando apareceu
A mãe que a levou de volta a casa.
Pois ela adormecera
Na paz da certeza
De que o seu amor apareceria.

Mas ele não veio
E ela não tornou a ir
Ao lugar
Onde voltou
Para abraçar
O amor que prometera vir

Chegara lá na hora
Que ficara marcada
E embora cansada
Esperou na certeza
De que ele viria
Como prometera

Estava descalça
Na terra ainda molhada
da manhã
Trazia o seu vestido preferido
Sonhou com a valsa
Que o amor lhe havia prometido

O sol já se rendia
Ao cansaço
E tingia pelo horizonte a ruir
Mas a sua euforia
E o seu consolo e regaço
Não a deixavam partir

Abraçou as árvores nuas
Ensaiando os passos
Que dançaria pela vida
E dos troncos fez laços
Sentindo decorar o encontro
Entre ela e a sua guarida




E docilmente
Cantou ao vento
Guardando no ventre
A semente
De um momento
Que não se voltaria a repetir

Ele não veio
Não quis
E não a procurou
Ela chorou infeliz
Ela adormeceu
E não mais acordou

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