segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Chuva - na noite de 23 Janeiro de 2010

Vento que se levanta
e calor que sufoca
da nuvem que se desloca
e da chuva que se espanta

Senti a pele arrepiada
e a alma em desassossego
senti-me cego numa auto-estrada
ou a caminho de um buraco, também cego

Talvez fosse mesmo da chuva preparada
ou do vinho e da sua uva estragada.
Talvez até nem fosse nada e apenas
um final de tarde de lírios e açucenas

Mas o meu corpo não respondia
a minha alma estava em discintonia
e todo o meu ser íntegro sentia então
que tremia o chão que pisava

Corri para casa para te dizer
que te amo, que te espero
que sou sincero quando te chamo
da mais fresca flor do meu canteiro

Corri para me perder
nos teus braços abertos como pétalas ao sol
e criar laços férteis e caminhos em volta
do mundo onde vamos crescer

Mas a atmosfera estava quente e pesada
a minha pele arrepiada como quando sente
a água fria dos banhos de mar
e fiquei sem saber o que pensar

Fechei a janela e acendi a lareira
e encostei-me no teu regaço de final dos dias,
mas nem a chama e o calor da fogueira
secaram a chuva que afinal eras tu que trazias

Que dor, aflição e aperto no peito
que gesto de amor imperfeito e impiedoso
que vontades te levam a tempestades?
que ousadias te levaram a falsas verdades?

Como foste capaz, neste amor tão leve e tão nosso
fazer de flores e amores, meras pedras?
Fazer de mim gato-sapato cego e sossegado
que nunca saberia nada, após longas esperas

Como foste capaz minha amada, de tão sagaz facada?

Mas a noite traz o dia e o dia outra noite até amanhecer
e o tempo faz como lençois de linho no nosso amor,
e percebi que há razões que a emoção sente que a mente, mente.

E há pedras no caminho que não são obstáculos ou armas
são sinais de que é preciso apertar os dedos de mãos dadas
e segurar forte o mapa da viagem
não perdendo o rumo.

Da chuva fica o sumo!

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