sexta-feira, 26 de março de 2010

Montanha de Olhos Verdes

Olhos verdes cheios de sol
como paredes rupestres com símbolos indecifráveis

Montanha tu és a estrada
por onde caminho sossegado.
E mesmo na escuridão cerrada
és o trilho, a paisagem e o final ansiado.

Montanha és o verde que quero
abraçar e cheirar e adormecer
e amar e amar e compreender
e caminho, sozinho, mas espero.

Sei que não caminhas mas és o caminho
que não percebes, mas és a conclusão.
Que não bebes mas és o vinho
e que está entre nós a mais louca razão.

Montanha és o rio, onde quero boiar
e ser folha solta na tua corrente.
És o ponto de partida e a vida está a começar
Atrás, ao lado e à tua frente.

Montanha és a pedra, onde tento.
És a erosão e os séculos e os segundos.
És a mais bela montanha de dois mundos
e és a pedra onde no final do poema me sento.

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