sexta-feira, 26 de março de 2010

Regata

Quando passa a tempestade
e chegas a casa em água,
e carregas molhado a mágoa
e também a saudade

Então partiste o teu barco, perdeste as velas
e perdeste a vontade de remar.
Fechas-te em casa e cerras todas as janelas
e corres as portadas para só a escuridão ficar

Perdeste a tua confiança
e então achas que perdeste a regata.
Anseias o sol e a bonança
mas ficas no escuro, parado, que mata.

Despe a camisa e faz dela as velas
dos atacadores o fios e o leme,
mete o chá quente ao lume e treme
treme uma última vez antes de recomeçar

Segue agora. Mesmo enquanto sangras.
Liberta-te do peso que levas nos bolsos carregados do 'ter'.
Da camisola, arregaça as mangas
e segue por esses caminhos inexplorados do teu 'Ser'.

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