dias de intenso calor,
e escutam-se entre os trovões a voz
que cantou um dia ao nosso amor.
Voz que cantava quase muda,
mas que se ouvia no silêncio
da disposição para amar.
Mas a distância torna a alma surda
a qualquer manifestação de canto
e a qualquer força para acreditar.
É um devaneio de angústia no âmago
daquele que abre a janela para ouvir
talvez no mais fundo de si aquela voz
que canta ao amor e à esperança
E fica mais triste o que não escuta
e mesmo nu à chuva, não consegue sentir.
Ficamos molhados e tão sós
que as lágrimas confundem-se com suor e chuva, sem bonança.

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