Numa tarde que queria eterna
Caminhei contigo à beira mar.
Montámos dois cavalos na praia e fomos deitar o sol no horizonte.
O mar que reluzia verde e azul espelhando dourado
Numa linha incerta de rebentação
Num suave em progresso aumento do ritmo do meu coração.
O branco da espuma e o perfume de maresia
Os teus cabelos soltos como a crina do cavalo ao vento
Numa dança incorrecta mas tão simbiótica ao sentimento.
Fomos pela areia infinita aos saltos
Em galopante vista de cortar a respiração
As ondas intensificavam reflectindo tons de Verão.
O limita da praia eram rochas esculpidas como sereias
Por escultores de tamanha perfeição.
Com tamanho amor crescente nas minhas veias
Só nas rochas se sentia a erosão.
Não queríamos parar de galopar com receio
Que o final de um passeio fosse presságio
Do final de uma tarde que ardia aos poucos
E nos deixava loucos de contágio.
Saltámos dos cavalos em andamento
Que seguiram o seu caminho pelo mar
até desaparecerem nas ondas e no vento
Beijámo-nos como numa partida para a guerra
No dia em que chegámos ao fundo da alma do mar
Prometemos tudo e de tudo fizemos daquilo que o amor encerra
Dois corpos nus na areia fria
Fumegando respiração como se fosse nicotina
Delineando novas formas na duna
Onde vimos abraçados chegar um novo dia
Tapados por maresia, suor, amor e neblina
Num emaranhado de amor, paixão, ondas e espuma

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