domingo, 24 de outubro de 2010

Galopar

Numa tarde que queria eterna

Caminhei contigo à beira mar.

Montámos dois cavalos na praia e fomos deitar o sol no horizonte.

O mar que reluzia verde e azul espelhando dourado



Numa linha incerta de rebentação

Num suave em progresso aumento do ritmo do meu coração.

O branco da espuma e o perfume de maresia

Os teus cabelos soltos como a crina do cavalo ao vento



Numa dança incorrecta mas tão simbiótica ao sentimento.

Fomos pela areia infinita aos saltos

Em galopante vista de cortar a respiração

As ondas intensificavam reflectindo tons de Verão.



O limita da praia eram rochas esculpidas como sereias

Por escultores de tamanha perfeição.

Com tamanho amor crescente nas minhas veias

Só nas rochas se sentia a erosão.



Não queríamos parar de galopar com receio

Que o final de um passeio fosse presságio

Do final de uma tarde que ardia aos poucos

E nos deixava loucos de contágio.



Saltámos dos cavalos em andamento

Que seguiram o seu caminho pelo mar

até desaparecerem nas ondas e no vento

Beijámo-nos como numa partida para a guerra



No dia em que chegámos ao fundo da alma do mar

Prometemos tudo e de tudo fizemos daquilo que o amor encerra

Dois corpos nus na areia fria

Fumegando respiração como se fosse nicotina



Delineando novas formas na duna

Onde vimos abraçados chegar um novo dia

Tapados por maresia, suor, amor e neblina

Num emaranhado de amor, paixão, ondas e espuma

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