Pega nos teus problemas
E naquilo que te fizeram.
Abraça os teus dilemas
E no que de mal te disseram.
Agarra-te e ti próprio
E sê apenas o que és.
Aceita-te tão sentimento quanto sóbrio
Aceita-te como te sentes e como te vês.
Levanta-te e mostra-me de frente
Aquilo que aconteceu contigo.
Não te posso dar uma vida diferente
Mas posso ser teu amigo.
Posso escutar e garantir-te
Que nada pode ser assim tão negativo
Que não possas mais sentir-te
Como ser amado, como ser vivo.
Observa como no mesmo campo
As mesmas árvores e plantas.
Mudam pelas estações do ano
Enquanto te deitas e levantas.
Nada que te aconteça
Pode ser mais forte, mais intenso.
Que o momento do teu nascimento
Que a vida que mereceste.
Deixa que o teu dia anoiteça
E que mergulhes no teu ser tão denso
Que te atormentes em sentimento
Que doa mais do que quiseste.
Mas não deixes nunca que sejas
Menos que um sonho ou mais que um ser.
Não julgues aquilo que desejas
Deixa-te profundamente viver.
Porque um dia sentirás
Que tudo o que teve que acontecer,
Aconteceu. E tu olhas para trás
E sabes que ficaste para vencer.
E quando te doerem os braços
Dos abraços que deste sem receber.
Estás desfeito em pedaços
Que te fazem querer perceber.
Mas a única coisa que perceberás
Um dia no leito da vida
É que tudo o que deste, receberás.
D’Aquele que te manteve de alma erguida.
Tocarão pianos nos teus dias de tempestade
E violinos nas tuas horas de solidão.
Tambores quando cheiras a liberdade.
Guitarras quando tocas o chão.
E danças já convencido
Que tudo não passou então
De um pequeno mal entendido
Que te elevou o coração.
Por mais palavras poéticas
E notas métricas musicais
Tu jamais serás alguém
Sem que te aceites.
E então choras
Porque demoras em ruas
Nuas e tristes
Onde existes de fugida
E correrás para viver
Nas ruas da tua pessoa especial.
Entre veias cheias do teu ser
Tristes, alegres. Enfim, Humano integral.

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