domingo, 24 de outubro de 2010

Pega nos teus problemas

Pega nos teus problemas

E naquilo que te fizeram.

Abraça os teus dilemas

E no que de mal te disseram.



Agarra-te e ti próprio

E sê apenas o que és.

Aceita-te tão sentimento quanto sóbrio

Aceita-te como te sentes e como te vês.



Levanta-te e mostra-me de frente

Aquilo que aconteceu contigo.

Não te posso dar uma vida diferente

Mas posso ser teu amigo.



Posso escutar e garantir-te

Que nada pode ser assim tão negativo

Que não possas mais sentir-te

Como ser amado, como ser vivo.



Observa como no mesmo campo

As mesmas árvores e plantas.

Mudam pelas estações do ano

Enquanto te deitas e levantas.



Nada que te aconteça

Pode ser mais forte, mais intenso.

Que o momento do teu nascimento

Que a vida que mereceste.



Deixa que o teu dia anoiteça

E que mergulhes no teu ser tão denso

Que te atormentes em sentimento

Que doa mais do que quiseste.



Mas não deixes nunca que sejas

Menos que um sonho ou mais que um ser.

Não julgues aquilo que desejas

Deixa-te profundamente viver.



Porque um dia sentirás

Que tudo o que teve que acontecer,

Aconteceu. E tu olhas para trás

E sabes que ficaste para vencer.



E quando te doerem os braços

Dos abraços que deste sem receber.

Estás desfeito em pedaços

Que te fazem querer perceber.




Mas a única coisa que perceberás

Um dia no leito da vida

É que tudo o que deste, receberás.

D’Aquele que te manteve de alma erguida.



Tocarão pianos nos teus dias de tempestade

E violinos nas tuas horas de solidão.

Tambores quando cheiras a liberdade.

Guitarras quando tocas o chão.



E danças já convencido

Que tudo não passou então

De um pequeno mal entendido

Que te elevou o coração.



Por mais palavras poéticas

E notas métricas musicais

Tu jamais serás alguém

Sem que te aceites.


E então choras

Porque demoras em ruas

Nuas e tristes

Onde existes de fugida



E correrás para viver

Nas ruas da tua pessoa especial.

Entre veias cheias do teu ser

Tristes, alegres. Enfim, Humano integral.

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