Onze horas certas
Na rua da catedral
Um tímido sol
Um vento zangado
Cachecóis que dançam
Nos pescoços das senhoras que passam
E cigarros que fumam cafés
Na esplanada da esquina
O relógio confirma as horas
A Missa começará dentro de instantes
Os sapatos altos marcam compasso
Nas pedras da calçada alinhadas
Tudo muda por um momento
Extrema bondade transborda de almas corruptas
E até o mais ínfimo suspiro é de misericórdia
Mas só enquanto os sinos tocam na Cruz
E então termina tão depressa
E as escadas apoiam os pés mais leves
Daqueles que saem e voltam às suas rotinas
Como quem sai do salão de beleza.
E tudo volta ao normal
Como um feitiço que passa
E as pessoas levam-se a si próprias às cavalitas
Sem espaço ou força para levarem quem quer que seja
Sorriem e mostram carteiras recheadas
Quando estão sisudas,
Mostram as suas almas vazias,
Porque este vazio de espírito pesa mais. Pesa tanto.

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