Tudo o que dizes
O que não, mas fazes,
E o que não sentes mas falas,
É tudo o que tu és.
És ao mundo a soma perfeita
Das tuas imperfeições e cálculos
Das direcções que tomas e evitas
Das palavras que calas e das que gritas.
Está tudo tão em ti espelhado
que a tua cor é uma mistura em tons pastel
de castanhos com beije e laranja
e do encarnado do sangue à flor da tua pele
E quando tentares ser o que não és
Serás esse rascunho pela tua mão.
Essa assinatura pelo teu corpo na areia
Desse trilho de vida que foste devastando em sentido oposto.
Descobre que toda a tua vida tem mais de bailado
Do que as ondas em dia de tempestade.
E dançarás e serás essa dança, até te encontrares sentado
E serás esse movimento estático da tua pessoa.
Mas dançarás e dançarás. Ao teu passo.
Num compasso do teu grande coração pequeno
Que jorra sangue como vida que vale a pena.
Sangue ameno, sangue quente, sangue que ferve.
Quando foste concebido foste resultado
De uma dança de amor descalço ou de um vidro partido
Da flor que te recebeu na Primavera
E do ventre que te elevou ao mundo

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