domingo, 28 de novembro de 2010

Tudo o que tu dizes

Tudo o que dizes

O que não, mas fazes,

E o que não sentes mas falas,

É tudo o que tu és.

És ao mundo a soma perfeita

Das tuas imperfeições e cálculos

Das direcções que tomas e evitas

Das palavras que calas e das que gritas.

Está tudo tão em ti espelhado

que a tua cor é uma mistura em tons pastel

de castanhos com beije e laranja

e do encarnado do sangue à flor da tua pele

E quando tentares ser o que não és

Serás esse rascunho pela tua mão.

Essa assinatura pelo teu corpo na areia

Desse trilho de vida que foste devastando em sentido oposto.

Descobre que toda a tua vida tem mais de bailado

Do que as ondas em dia de tempestade.

E dançarás e serás essa dança, até te encontrares sentado

E serás esse movimento estático da tua pessoa.

Mas dançarás e dançarás. Ao teu passo.

Num compasso do teu grande coração pequeno

Que jorra sangue como vida que vale a pena.

Sangue ameno, sangue quente, sangue que ferve.

Quando foste concebido foste resultado

De uma dança de amor descalço ou de um vidro partido

Da flor que te recebeu na Primavera

E do ventre que te elevou ao mundo

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