Que jeito formoso e sorriso soslaio
Que peito harmonioso
Que passos tão seguros enquanto chove
Que perfume tão natural
Que ciúme do casaco que te envolve
Que noite de tão grande temporal
Mas a chuva caía e não cessava
os relâmpagos reluziam e os trovões explodiam
e a chuva nem te molhava
As poças não te impediam
Os teus passos eram como teclas de um piano
Mas a noite tingia e a luz faltava
as ruas eram sequências de caminhos escuros e vazios
com carreiros de chuva como rios
e o teu passo não abrandava
Mas os carros aceleravam
passavam por ti por um triz de distância
e tu seguias, passo sobre passo, com extrema elegância
Onde irias, se não te chamasse
naquela hora de tristes desamparados
Entraste e eu fechei os cortinados

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