Estava deitado na minha cama
o tecto cheio de estrelas
a parede em chamas
e os meus lençóis em ondas de mar calmo
Tocavas viola e os teus dedos
nadavam como peixes nas cordas
as notas saíam melódicas e tão certas
como a madrugada tão nossa
E aí estás tu nos meus segredos
de olhos bem fechados a dançar
de pijama e descalços
no chão de madeira aquecido
Desvia a cara e não me vejas dançar
sente apenas e deixa-me estar
agarrado ao teu abraço no regaço
dos passos de uma dança quase tribal
Apenas te quero dizer que estou bem
estou aqui e danço no teu regaço manso
digo que te amo, que te chamo
com cada arrepio da minha pele
Nada nem ninguém
saberá o que nos corre na alma e veias
onde o vinho é amargo e trago
no coração poemas e mel

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