sábado, 2 de abril de 2011

Escutas-me?

Pedi-te um lugar sossegado e não triste

Um esboço de vida que florescesse

Um rasto de riso que nascesse

Mas sinto que nem me ouviste.


Pedi-te um pouco de sol para o contraste

Um passeio de paz entre vales verdejantes

Uma melodia agradável e abraços reconfortantes

Mas sinto que tu nem me escutaste.


Sei que houve um tempo em que a tua mão guia

Levou uma civilização à verdade

Trouxe o amor e o sonho à humanidade

Mas agora nem sei se lês a minha poesia.


Foi então que percebi, que me amaste de mão cheia

E que tu me deste tudo o que te pedi

Não pelas linhas e sequência com que te escrevi

Mas pelo puro contraste com a realidade que me rodeia


A fome e pobreza de alimentos e valores

Com que se emancipam as civilizações

São prova concreta do vazio dos seus corações

Contrastando com a minha fome pequenina

E por cada tiro disparado

Contra cada alma desesperada

Percebo que a minha vida desencontrada

Era afinal um lugar sossegado

Obrigado.

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