Há uma árvore que arde na clareira
E que me acordou esta noite de repente.
Arde só, e como se fosse uma fogueira
Com lenha que parece durar para sempre.
Vejo a luz das chamas refletida na parede do meu quarto,
Talvez isso me tenha acordado.
Saí de um sono profundo com um sentimento amargo
De que enquanto dormia o mundo exterior tinha mudado.
Sinto o cheiro da madeira em cinzas
Um cheiro que me invade quase como incenso.
Em tiras de fumo que sobem lisas
Enquanto o ardor se torna mais intenso.
Oiço o estalar dos ramos rendidos ao fogo
E sinto caírem como corpos sem vida pela terra.
Espalhando as chamas que neles vivem, como num jogo,
Em que eles morrem mas são usados como corpos de guerra.
Sinto o calor das chamas no ar que entra pela janela
E torna-se impossível continuar o sono desta maneira.
Pego na água que tenho à cabeceira
E apago de vez a lareira.
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