sábado, 6 de outubro de 2012
Partiram três barcos e não voltou nenhum.
Trinta homens fardados e armados,
trinta corpos na areia da praia matinal.
Levavam a esperança de uma pátria perdida
voltaram os seus corpos nus e desarmados e sem vida
à praia de esperança erguida onde fora a despedida.
Trinta mães que choram em vão.
Sessenta mulheres contando com as viúvas
que entregaram naquela manhã o coração.
Trinta corpos altos e espadaúdos
definhados pelas ondas e pelas chuvas
os gritos da tempestade contra mudos.
Nem sinal das naus nem das armas na areia
daquela mesma praia sangrenta
onde os corpos decompõem a esperança,
Só uma mãe cheia de dor devaneia
e cinquenta e nove mulheres em tormenta
por aquele rapaz, aquele lutador, aquela criança.
E foi então, e o quanto eu esperava por tal,
que o coração falou mais alto que o sal
das lágrimas e do mar.
E aquelas mulheres fizeram a sua embarcação
e partiram sem pensar na razão
para vingar o homem que dizem amar.
Levavam o cabelo solto
e as mãos calejadas das tarefas rotineiras.
Contiveram o choro e respiraram fundo.
Não há melhor arma contra o mar revolto
que a raiva das mulheres guerreiras
que abrem os olhos e mudam o mundo!
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