esperamos até esgotar o sangue no corpo.
Para que chegasse enfim, de um lugar de mim,
esta água que não chega para nos encher o copo.
Arrumámos a casa, e cada livro no seu lugar.
Acendemos as velas e abrimos o vinho para o receber.
Mas afinal e portanto, pariu o amor um pranto,
que não chegou para nos aquecer as mãos frias.
E sucessivas noites e desgastados dias,
sem um tostão no bolso, sem um raio de sol.
Achámos sempre que ele chegaria, e nesse dia encheríamos os copos.
Abriríamos os corações e tirávamos a fome dos nossos corpos.
Mas afinal, mais sós e mais nada.
Um final sem voz e sem estrada.
Uma guitarra sem cordas e sem fulgor.
Um relógio sem horas para o amor.

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