terça-feira, 22 de abril de 2014

Ser mar.

O corpo humano é mais próximo do mar
que da anatomia e ciência.
Há areia na pele e ondas nos cabelos,
e há no sangue vestígios de espuma.

O pensamento é mais maresia que filosofar,
e a tempestade marítima está mais próxima da demência.
A corrente sanguínea e o ar dos pulmões
estão mais cheio de mar que de oxigénio.

Queria então, poder abdicar de ter um coração.
Trocar a alma pelas marés.
Derreter-me e voltar ao mar,
e nadar sem precisar dos meus pés.

E acredito que esta angústia que me domina
seria navegar para estibordo.
O que eu não daria para ser uma concha pequenina
em cada nova manhã em que acordo.

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