sexta-feira, 22 de agosto de 2014

O seu tom de voz e a sua maneira
de ver tudo pelo lado da imperfeição.
As suas palavras secas como a madeira
os passos tão frios quanto a palma da sua mão.

Ecoam pela casa como murros no âmago
arranham a alma como unhas na pele.
Desafiam as leis da harmonia num gesto
que de ser tão manifesto, repele.

A beleza dela, por seu lado, e a sua voz calma.
Os seus pensamentos tranquilos e o seu sorriso a florir.
Passam despercebidos na confusão daquele quarto cuja alma
foi roubada por tal sujeito que de tão imperfeito ofende só mesmo por existir.

Como te atreves a fazê-lo?
Como ousas ser tão cruel e rude?
Que frio te corre na veia e no rosto.

Como te atreves tão sequer a sê-lo?
Essa ousadia de querer que tudo por ti mude.
Essa agonizante vida que infesta tudo o que gosto.

Parte agora e fecha a porta. Deixa-a sossegada de uma vez.
Não percebes que tudo o que odeias vem de ti?
Como pode haver tanta insensatez e pequenez,
nesses olhos carregados de algo tão mau como nunca vi.

Adeus. Vai e deixa-a comigo.
Só de te ver já odeio os meus olhos, e os meus ouvidos de te ouvir.
Só um dia, moribundo e perdido.
Vais perceber a besta que eras apenas por existir.

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