Pai deixe a luz do corredor acesa
Tenho medo do escuro que me envolve
Tenho a boca seca e a alma presa
Após a trovoada sinto que ainda chove.
Fui eu que escolhi aqui ficar
Mas pai, não deixe essa luz se apagar
Algo na noite me faz acreditar
Que esta noite não vou acordar
Fiz de tudo para ser inteiramente
Dei o que não tinha para me manter
E aceito, tão sereno, mas dormente
Que se essa luz se apaga não vou ver
Pai, mantenha essa luz acesa
Pela noite fria que se avizinha
Tenho fé, mas não tenho a certeza
Que esta vida que tomo seja minha
E se ao acordar não acordar
Mantenha a luz acesa, por favor.
Pai, não deixe o escuro me levar
Para lugares longe do seu amor.
Está frio e a manta que me cobre
Aquece o corpo mas não o coração
Após a trovoada ainda chove
Olho para o tecto mas tenho o corpo no chão
Porque não posso voltar atrás
E nunca sair dos seus abraços?
Sei que me pertence mas não sou capaz
De levantar este corpo em pedaços
Pai pendure o meu casaco atrás da porta
Já nada me protege da chuva que demora.
A luz acesa contrasta com a minha alma morta
Que se arrasta pela poças lá fora.
E ao partir, quando eu adormecer,
Pai feche o livro aberto na cabeceira.
Já nem as palavras consigo ler
Com os meus olhos tomados pela cegueira.
E quando, na manhã indefesa,
Eu for apenas um corpo moribundo.
Pai, mantenha a luz acesa
Para que eu caminhe sereno para outro mundo.
As flores, ponha-as num jarro,
Corte as ervas e cubra-as de água.
Que permaneça viva a natureza a que me agarro
Quando a minha alma parte serena deste corpo em mágoa.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
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