Vidas perplexas por mesquinhas intenções
Ditas por não ditas, malditas,
Ferem como vidro na carne
Sangram como vinho aos jorros na alma.
Os dedos cerrados em tensão eminente
Os gritos soltos em murmúrios de choro
São como tiros às aves livres
Como terra suja na água pura
Não matem, mas antes matassem,
Pois viver com tamanha amargura
É ser-se forçado a respirar submerso.
Não acabaram, mas antes acabassem.
Pois ter que viver em terreno adverso
E comer da mão que agride
É engolir vidros a seco
Numa alma que, já morta, sobrevive,
Já cega, respira o fumo dos cigarros.

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