sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Que mão tão fria em pele tão quente
Que voz tão ausente
Que passo descalso tão errante em chão quente
Que semblante tão triste num sorriso distante

Que vontade tão escassa que carregas
Costas tão curvas e braços caídos
angústia tão pesadas que negas
olhos tão pintados de dor tingidos

Que aperto tão fundo no peito
Que faz a tua face esguia
Que mundo cinzento trazes tão imperfeito
Sugando sedento toda a tua energia

Eis que, desse inferno já em cinzas
Dessa alma rota em remendos
Sem que queiras, sem que finjas
Saem puros lilazes e gladíolos estupendos

Nessa lama suja e fria
Nascem pequenas rosas brancas
Puras e de tal perfume e harmonia
Que te despes e levantas.

E segues, assim, sendo tu
Despido, sem roupa, nu,
Ao teu jeito seco e cru,
Emanando tal luz quente que questiono:

Onde estavas flor mais pura
Durante toda a noite pesada?
Que desvario e imensa loucura
Que surpresa e destreza desgarrada
Dessa alma por quem ninguém deu nada.

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