domingo, 17 de abril de 2016

Vem do mais profundo de nós
E é indiferente à nossa vontade
Solta-se em silêncio ou em gritante voz
Move-se e entranha-se em total liberdade

Não há parte racional nem introspecção
Muito menos permite escolha ou crivo
Bombeia sentimento como se fosse um coração
E corre nas veias de qualquer ser vivo

É dor, é vigor, é angústia visceral
Mas é também fonte eterna de vida
É o centro, o átomo, o Ser fulcral
Mas também a morte detemida

Esse amor que nos eleva e abandona
Como lugar de treva e de imensa luz
Por ele morreram em Verona
Por ele elevaram a Cruz

Como pode o amor assim ser
O que mais nos repele e seduz?
Um jardim ao amanhecer
Que para a noite nos conduz

Uma lufada de ar sofucante
Por quem betem os corações
Por ele todo ser errante
Todos os poemas, as musas, as aspirações!

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