Vem do mais profundo de nós
E é indiferente à nossa vontade
Solta-se em silêncio ou em gritante voz
Move-se e entranha-se em total liberdade
Não há parte racional nem introspecção
Muito menos permite escolha ou crivo
Bombeia sentimento como se fosse um coração
E corre nas veias de qualquer ser vivo
É dor, é vigor, é angústia visceral
Mas é também fonte eterna de vida
É o centro, o átomo, o Ser fulcral
Mas também a morte detemida
Esse amor que nos eleva e abandona
Como lugar de treva e de imensa luz
Por ele morreram em Verona
Por ele elevaram a Cruz
Como pode o amor assim ser
O que mais nos repele e seduz?
Um jardim ao amanhecer
Que para a noite nos conduz
Uma lufada de ar sofucante
Por quem betem os corações
Por ele todo ser errante
Todos os poemas, as musas, as aspirações!
domingo, 17 de abril de 2016
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