sábado, 7 de maio de 2016


Ela passou quase em surdina
mas os seus passos ecoaram em mim.
A sua pele reluzente, meiga e fina,
o seu vestido de flores frescas do jardim.

Talvez nem notasse
não fosse ela ser ela
e eu não mais eu ali escutasse
aqueles passos doces como melodia mais bela.

O seu cabelo solto ao vento
num compasso fino e elegante.
Os seus braços dançantes sem alento
As suas pernas num percurso errante.

Não foi mais que um instante
e desapareceu como se nunca tivesse existido.
Mas no ar ficou o seu semblante
e pairava sobre a calçada o perfume do seu vestido.

Já nada era como antes
e o meu coração batia como passos de corrida.
Nem a conhecia e já éramos amantes
nem chegou, mas quis chorar a sua despedida.



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