sábado, 25 de junho de 2016

Partiu, de uma só vez e sem resquícios, 
Foi, somente, sem bater a porta à  despedida.
Mas foi de vez, e sem suplícios,
E com ela parte fulcral da minha vida.

Foi assim, sem planear, 
Sem régua nem esquadro.
Nem quis saber ou escutar,
Nem lamentar qualquer fardo.

Eu quis falar e dizer que lamentava
Mesmo que não soubesse bem do que se tratava.
Mas ela não quis saber o que eu dizia,
E partiu de forma serena, dura e fria.

Abriu a porta do jardim
E pousou a mala no alpe dre sombrio.
Julguei que se viesse despedir de mim
Mas num segundo erguei-se a partiu.

Não chores, pediu à despedida.
Finge que nunca aqui estive.
Numa mão a mala, na outra a minha vida,
E seguiu como quem aqui não vive.

Fui buscar a arma ao armário do quarto
Porque isto não podia acabar assim.
E disparei para o ar, já farto:
Leva-te, mas não me leves a mim!



Sem comentários:

Enviar um comentário