Que está sempre a morrer.
A sua copa é como a telha
De uma casa à espera de arder.
As suas folhas verdes secam
E o vento leva-as como poeira a sumir.
Sem piedade ou respeito os bichos defecam
E as crianças puxam os seus troncos até partir.
Os seus ramos partidos
São como vidros na estrada.
Pedaços de árvore corroídos
Deambulam pela madrugada.
E o sol todo o dia
Seca as suas raízes salientes.
Sem força sem alegria
A árvore cai exausta nos dias mais quentes.
De tanto tremer e sucumbir
Sem um resto de ânimo ou destreza
Um dia as raízes fizeram-se em borras de café.
Perdeu o vigor e deixou-se esvair
Mas como toda a verdadeira natureza
Baixou os braços e morreu de pé.

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