quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Meu amor, meu pássaro de Outono,
Como posso eu tão somente ser?
Como poderia este mundo sequer existir?
Se não fosse o teu cabelo ondulado nos meus dedos.

Meu amor, meu trono,
Meu por do sol ao entardecer
Minha matutina vontade de partir
Para sempre  morar nos teus enredos.

Cantem sereias e caiam estrelas
Rebentem as ondas na meia-praia
Mas todo o encanto está em ti
Toda a existência permanece no teu peito.

Pudesse eu ter essa chama das velas
Soubesse eu como te oferecer todos os búzios e areia.
Como foi que só em adulto descobri
Que estava em ti o lugar eleito?

Vivo no nosso ninho
Construído com o nosso traço
Mas sinto toda a fome e toda a sede
Como se voasse apenas com uma asa.

Pois sem ti eu vivo sozinho
E só no teu abraço e regaço
Eu sinto o tecto e as parede
A que posso chamar casa.

Que ânsia e que sedes
Atormentam o meu coração apertado
Na falta do teu sangue nas minhas veias
Na ausência do seu segredo no meu ouvido.

Como posso ver sem os teus olhos verdes?
Como posso voar sem o teu cavalo alado?
Como posso tão sequer escrever sem as tuas ideias?
Sem ti, encontro-me sempre perdido.

Bem sei que de tantas saudades
Escrevo coisas tontas e palavras de circo.
Pinto o céu da cor da terra
E até no silêncio escuto  fado.

Mas é assim que sonho juntar as nossas metades
E montar um tronco tão hirto
Com a copa feita das folhas da nossa guerra
Vem, meu amor, viver ao meu lado.

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