Os cães vadios abrem o caminho
Seguidos dos soldados reformados
Os homens da aldeia, ainda sujos do vinho,
Empenham tochas e paus afiados
Vão tortos e zangados embebidos
Na direcção da herdade do doutor
Vão ao lugar certo ainda que perdidos
Vingar a morte da filha do lavrador
A noite é de luar e céu a descoberto
Mas o frio parece escurecer a estrada
Vão direitos ao lugar certo
Num silêncio que preconiza a tragédia anunciada
Os portões da herdade escancarados
Informam que já alguém os espera sem temor
Sem pedir licença entram em passos pesados
Vão vingar a morte da primavera do lavrador
Vão de punho fechado nas armas e pesada firmeza
Na direcção da casa que alberga as mãos de sangue
O fumo na chaminé indica lareira acesa
Na casa onde toda a raiva se sente grande
A mulher do médico pede clemência
Os homens, os soldados e os cães vão em clamor
Tomados pela dor que os assombra na demência
De vingar quem secou a flor do lavrador
De pé mas curvado o médico explica sem preceito:
De tudo fiz mas nada posso na pneumonia.
Abre os braços e recebe-os a todos no seu peito.
Choram todos até ser dia.
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário