quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Ao passar os dedos pela consciência
Percebi que de nada  os serve este fulgor.
No ar poluído sente-se a fúria e a demência
De um mundo que tanto clama por amor.

Amor, sim. Essa coisa estranha
Que abana as cabanas como vento.
Essa ligeireza desajeitada que emana
Daquele perfume que apela ao sentimento.

Mas como podemos nós amar?
De corações rotos e mãos vazias.
Tudo o que temos é por mendigar
E comemos castanhas frias.

Quem nem para nós chega para saciar
Fomes e sedes que acumulámos no pó dos dias.
Como podemos agora tão somente amar?
Sem saber do amor as suas poesias.

Oh gente ingrata, ignóbil e mesquinha.
Que nas pedras do passeio tropeças.
Precisamos de saber ver vinho nas vinhas
Plantado por um mundi às avessas.






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