quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Quando o sol se deitava no horizonte
e no ar as cores eram de um amor fumegante,
Como vais, um dia, aceitar que preferiste olhar para o outro lado?
Que tudo passou, assim, sem que o soubesses.

Quando a água e os risos jorravam da fonte
da nossa juventude e paixão errante,
vais pensar, um dia, que podias ter escutado,
e que tudo voou, assim, sem que te esquecesses.

No lugar da praia há um monte
que em vez de flores tem uma memória desconcertante.
Que grava a história que podia ter sido quando revoltado
quiseste tudo viver sem que o vivesses.

E agora, meu amor?
Chora agora. Bem sei que sentes a dor.
Pois um vazo paira à janela, sem flor,
e mesmo a terra secou na guerra e no vazio.

É um arrepio monumental e ardor
que paira pelo ar.
De um rio que, mesmo em caudal de amor,
não teve a força que lhe esperávamos para chegar ao mar.

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