Somente os meus papéis e poemas,
Numa solidão que arde
Entre os meu métodos e esquemas.
O vento e a chuva são distantes
Para lá da janela fechada.
Os pensamentos e as vontades errantes
Moldam o meu lugar cheio de nada.
Sorrio de tão triste
É este tédio privado.
Reconforto num silêncio que persiste
Entre quatro paredes e um cigarro fumado.
Lá fora as guerras e a dor
Parecem feitas de brancas açucenas
Aqui apenas permanece o fulgor
De um coração debruçado sobre poemas.
Mas será certo ser assim
Ausente do mundo que segue sendo?
Todo sangue que efervesce em mim
Segreda-me que devo permanceder escrevendo.
Até quando? pergunto em surdina.
Quais os limites deste esconderijo?
E enquanto penso sigo a minha sina
Vivendo as palavras que redijo.

Sem comentários:
Enviar um comentário