terça-feira, 8 de novembro de 2016

Só, ao final da tarde
Somente os meus papéis e poemas,
Numa solidão que arde
Entre os meu métodos e esquemas.

O vento e a chuva são distantes 
Para lá da janela fechada.
Os pensamentos e as vontades errantes 
Moldam o meu lugar cheio de nada.

Sorrio de tão triste
É este tédio privado.
Reconforto num silêncio que persiste 
Entre quatro paredes e um cigarro fumado.

Lá fora as guerras e a dor
Parecem feitas de brancas açucenas
Aqui apenas permanece o fulgor
De um coração debruçado sobre poemas.

Mas será certo ser assim
Ausente do mundo que segue sendo?
Todo sangue que efervesce em mim
Segreda-me que devo permanceder escrevendo.

Até quando? pergunto em surdina.
Quais os limites deste esconderijo?
E enquanto penso sigo a minha sina
Vivendo as palavras que redijo.

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