Tu e eu, ao anoitecer,
Sentados no chão à espera,
Um baú de madeira,
E tudo o que lá fomos guardando.
Abrimos sem saber
o que está caixa retivera
Dos sonhos à brincadeira
De tudo íamos esperando.
Um chapéu de cowboy
Uma tiara e um xilofone
Uma bicicleta sem pedais
Uma estrada cheia de estrelas
Uma fotografia que dói
Uma lata de atum para a fome
Balões de ar lançados no cais
Uma caixa de fósforos e velas
Um vestido comprido da minha mãe
Uma caixa registadora do teu avô
Uma dança como no cinema
Um abraço à passagem do comboio nas estações
Um quadro de ninguém
Uns palitos que alguém roubou
Uma pedra, um sino e uma pena,
Uma noite, um futuro, e dois corações.
Um sonho escondido no ventre
Umas sabrinas e um trampolim
Os beijos e amaços
Duas ripas de madeira do chão
Abrimos a caixa para que sempre
Abraçados sem principio nem fim
Possamos ser tão inteiros quanto pedaços
de um amor escrito numa noite de verão.
segunda-feira, 17 de julho de 2017
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)

Sem comentários:
Enviar um comentário