quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Devagarinho a manhã foi rompendo
Na calçada fria ansiando a luz
O caminho que fomos percorrendo
Com o amor que nos conduz.

Como um rio descendo até à cascata
O sol chegando ao lugar sombrio
As mãos esperando a carta
O cais aguardando o navio.

A respiração sustida esperando o beijo
A mão estendida aguardando a esmola
Os olhos fechados procurando o sono
A porta aberta pedindo o teu regresso.

Uma alma que pesa de desejo
A voz que quer a viola
O cão que procura o dono
A folha de papel que desespera por um verso.

E chegas, assim, nu e vazio,
Ao ninho onde te espero desde sempre,
Como o mar que toca o rio
E a tua vida que me preenche o ventre.

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