quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Ainda que os teus olhos me reprovem
E que as tuas mãos soltem as minhas,
Ainda que as luzes se apaguem
E que corra a cortina sobre o palco.

Não pode a música silenciar a minha voz
Não pode a chuva apagar a chama
Não podem os olhos fechados impedir o movimento
Nem pode o vento levar-me a pele

A minha alma será sempre pássaro
O meu coração será sempre fogueira
Os meus pés serão sempre estrada
E o meu ímpeto será sempre índio.

E ainda que o mar se revolte
E a montanha se quebre à erosão
Mesmo que a madeira arda
E o comboio prta da estação

Não pode o mundividência ser lei
Nem a mundivivência ser regra
Não pode o homem ser dono
Do homem que não originou.

E assim, tão só quanto nasci,
Sou as curvas dos meus ossos
Mas sou também, numa manhã calma,
A euforia que me corre na alma.

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