domingo, 26 de novembro de 2017

Num passeio pelas ruas da terra
Vi as crianças órfãs desprotegidas
Ouvi o choro das mulheres viúvas e despidas
Senti o cheiro das moscas nas suas feridas

Não creio que seja apenas a guerra
Mas é certamente a nossa indiferença
Das imagens distantes de um mundo sem convalescença
Com rostos desesperados, lágrimas rompidas, que partilhamos sem licença.

Ignora mais uma vez que existe
O sangue infantil no teu esgoto.
Vira a cara perante o rosto triste
De uma mulher de coração roto.

Mas não apagues a luz da realidade,
Da tua alma, do teu coração, do teu ventre,
Da tua família, dos teus amigos, da tua cidade.
Luz que nos culpará para sempre.

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