O mar parecia mais gelado
E senti perder o pé,
Tentei respirar mas fui puxado
Agarrado a uma réstia de fé.
As saudades da nossa gruta ao luar
Faziam-me crer querer esse momento.
Mas percebi que esta luta contra o mar
Era o meu maior sofrimento.
Bem sei que são sete as ondas
Que marcam a espuma
Tentei contar mas perdi a conta
Afogando os sonhos em cada uma.
A praia estava atrás de mim
Mas era para o oceano que olhava.
Se visse o horizonte, enfim,
Talvez o esquecesse a dor que carregava.
Na minha alma flutuavam búzios e restos
De castelos na areia que o mar molhava.
Na confusão para respirar, todos os gestos
Eram menos fôlego que me restava.
Com a lua na alma e as correntes no corpo
Voltar à terra não era alternativa.
A praia não era o meu porto
Pois no terror das ondas descobri a vida.
Porque não escutei antes
Este zumbido do mar que a dor me cala?
Foi aí que percebi que a origem dos dias errantes
Estão na distância desta maresia que me acalma.
Ergui os braços e de uma levada
Desisti de lutar, deixei-me levar.
Esvaí-me em água salgada
E sosseguei, porque voltei a ser mar.

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