Eu estava frágil
na corda bamba dos dias.
Tu eras ágil
e tinhas em ti todas as magias.
Eu esticava-me para apanhar sol no rosto
as minhas raízes pareciam quebradas.
Tu tinhas tudo pronto a teu gosto
e todas as coisas te eram dadas.
A sede moldava-me a alma escura
a fome trazia-me mágoa que me esmurrava.
A tua farta sorte era parte da tua bravura
e dos teus poros caia o excesso de água que me faltava.
Mas perante a dificuldade, eu fui capaz
de a aceitar como elemento da minha hora triste.
E tu, ágil e sagaz,
em vez de lutares comigo, feriste.
Os dias pioraram e a trovoada
sacudiu o pouco que em mim existe.
Eu mantive-me preso à vida como cavaleiro à espada.
E tu, perante o desassosseego, sucumbiste.
quinta-feira, 11 de junho de 2020
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