Nada mas a dignidade em si
de seres tudo o que te pediram para seres, finalmente.
Mesmo que a verdade, em ti,
te diga para dançares, voares e viveres, plenamente.
Que assim seja, como os outros te pediram.
Ajoelha-te na igreja e aceita que amanhã será diferente.
Ou levanta-te contra os preconceitos que te despiram
e resgata o teu mais ínfimo sonho dormente.
Que não sobre em ti uma ponta de modéstia ou vergonha
e possas viver inteiramente o que te pertence.
Um espírito livre e insano que ri, que sonha
e que, no final, sempre cai mas sempre vence.
Que a miséria e mendicidade de amor
possam ser a tua bandeira.
Ainda que saibas de cor
que os teus projetos são pura asneira.
Mas são teus, e só teus,
e é deles que brota uma fonte inesgotável
daquela chuva que vem dos céus
e que para a tua alma é a única água potável.
Que eles sejam todos felizes ao pensar
que os seus conselhos, de notalgia, te são úteis e essenciais.
Mas que os teus atos te façam viajar
na loucura dos teus pensamentos fúteis mas originais.
E ao final de uma noite pelos mares
solta dos teus pés os pedaços de anzóis.
E vem para junto de mim para descansares
e adormecido nos meus braços passo os meus dedos nos teus caracóis.

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