sábado, 22 de outubro de 2022

Adaptação minha do soneto de Luís de Camões "Sete anos de pastor"

Sete anos à margem Jacob dormia
na rua, ao nosso lado, à nossa vista;
mas não era ele à margem, o egoísta,
somos nós na cama quente e ela na pedra fria.

Os dias, as noites, na esperança de um só dia
passava, esperando compaixão ao sol e à chuva;
porém a sociedade, fazendo vista turva,
em lugar de amor lhe dava poesia.

Ficando o triste senhor que com enganos
lhe fora assim negada a dignidade,
como se a não tivera merecida;

Fica à margem outros sete anos,
sentindo: mais ficara nesta cidade,
se soubesse que alguém, um dia, valorizasse a minha vida.

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