Para uma viagem outra vez
Descalcei as meias
Fiquei de tronco nu
Pisei os os vidros
Sangrei os dedos dos pés
As ondas da lua cheia
Vibram o meu ser cru
A missão é clara
E não vou voltar atrás
Até resgatar aquele menino
Às voltas sozinho na floresta
Nada me impede ou para
Na procura da luz e da paz
Na força da oração e do sino
Que abre o caminho que me resta
É pela vida e pelo amor
Que sigo firme na lama
O escuro que me repulsa e chama
Para não viver mais na dor
A dor de andar perdidos às voltas sem fim
desconhecendo as portas da vida.
O corpo turva na dor mas a cabeça erguida
vai nas pautas das notas soltas em mim.
Quando o encontrei, chorei.
Não o reconheci mas ele respondeu pelo nome.
Abracei. Chorei. Não sei.
Sem certezas, mas disse que acabou a sede e a fome.
Agora que o tinha nos meus braços e coração
Estava em mim a força de o resgatar da guerra.
Sabia que se juntasse os pedaços no chão
Que o poderia levantar de volta à terra.

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