domingo, 15 de outubro de 2023

A CURA

Acordar os sentidos
Para uma viagem outra vez
Descalcei as meias
Fiquei de tronco nu

Pisei os os vidros
Sangrei os dedos dos pés 
As ondas da lua cheia
Vibram o meu ser cru

A missão é clara
E não vou voltar atrás 
Até resgatar aquele menino
Às voltas sozinho na floresta

Nada me impede ou para
Na procura da luz e da paz
Na força da oração e do sino
Que abre o caminho que me resta

É pela vida e pelo amor
Que sigo firme na lama
O escuro que me repulsa e chama
Para não viver mais na dor

A dor de andar perdidos às voltas sem fim
desconhecendo as portas da vida.
O corpo turva na dor mas a cabeça erguida
vai nas pautas das notas soltas em mim.

Quando o encontrei, chorei.
Não o reconheci mas ele respondeu pelo nome.
Abracei. Chorei. Não sei.
Sem certezas, mas disse que acabou a sede e a fome.

Agora que o tinha nos meus braços e coração
Estava em mim a força de o resgatar da guerra.
Sabia que se juntasse os pedaços no chão 
Que o poderia levantar de volta à terra.

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